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Taxistas aderem a Uber para tirar renda extra em Salvador: ‘Preciso pagar as contas’

Quando a Uber surgiu em Salvador, os taxistas não viram com bons olhos. Rudnei achou uma injustiça: “Eles não deixavam a gente entrar na plataforma e só fomos perdendo cliente”. Alan não acreditou que fosse dar certo: “A gente tinha o costume de entrar em bairros mais perigosos de Salvador. Eles não”. Já Vailson  ficou mesmo foi com raiva. “O movimento despencou para uns 30% do que fazíamos normalmente”, lembra. Hoje, esses três taxistas estão no grupo que deixou a ‘rivalidade’ de lado – não o táxi – e aderiu ao aplicativo de transporte para complementar a renda.   

“Alguns colegas não gostam. Eles ficam cismados e dizem que estou traindo a classe. Mas essa concorrência entre táxi e aplicativo é saudável para regular os preços das viagens. E eu quero me beneficiar dessa concorrência e quero beneficiar meu cliente. Como não sou vereador, não levanto bandeira, para mim foi necessário fazer isso, pois preciso pagar as contas”, relata Alan dos Santos Figueiredo, 39 anos, que diz ter visto o faturamento aumentar 40% depois que começou a conciliar as duas ocupações.   

Em média, num dia, ele faz quatro corridas de táxi e 14 por aplicativo. “Normalmente, eu começo o dia fazendo alguma corrida pelo táxi. Depois, ligo o aplicativo e vou trabalhando até o horário de almoço quando normalmente alcanço minha meta. Após descansar, volto a ficar no táxi até quando acaba o horário de engarrafamento. Logo após, ainda uso o aplicativo para encerrar meu trabalho”, diz.    

Toda essa rotina pode parecer trabalhosa, mas Alan jura que encontrou mais tempo livre graças a essa nova configuração. “Com o Uber, você consegue ter uma mobilidade maior. Dá para sair mais cedo, almoçar em casa, começar a trabalhar um pouco mais tarde. A oferta de trabalho é maior, pois eu tenho as duas opções de viagens. Atendo tanto ao público que usa aplicativo, como o que usa táxi”, explica.  

O taxista Rudnei da Silva, 48 anos, tem essa mesma linha de pensamento, mas adere a outra estratégia de trabalho. “Eu fico no ponto do Hospital da Cidade e faço uma corrida no táxi para qualquer lugar. Para voltar para o ponto, eu vou com o aplicativo ligado para o carro não ficar vazio e eu conseguir um dinheiro a mais”, diz o rapaz, que também observou aumento do faturamento com essa estratégia.   

“O problema dos táxis é o baixo volume de corridas. Eu costumo pegar, por dia, umas dez no táxi e até mesmo o dobro de viagens no aplicativo. Por outro lado, a Uber alcançou clientes que nunca entraram no táxi, pois não conseguiam pagar. Eu pego às vezes alguns passageiros que dizem isso”, conta. 

Rudnei tem experiência de 30 anos no táxi e apenas um mês com Uber. “Só recentemente que eles vieram me aceitar na plataforma, porém eu já usava há uns cinco anos o 99 e o Wappa, por exemplo”, diz.  

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A reportagem perguntou a Uber quando eles passaram a aceitar taxistas na plataforma, mas não obteve retorno até o fechamento do texto. “De cara, alguns passageiros ficam assustados, pois não esperavam que fosse um táxi. Depois, eles se sentem mais à vontade, pois sabem que no táxi a corrida costuma ser mais segura, o veículo é geralmente mais bem conservado. Nós taxistas somos muito fiscalizados e costumamos oferecer um serviço diferenciado”, diz Alan dos Santos.   

Já Rudnei acredita que essa fiscalização nos motoristas de aplicativo deveria ser maior ou mais parecida com a que ocorre com os taxistas. “Nós pagamos várias taxas, mas temos um diferencial que é a possibilidade de ofertar o serviço e táxi também. Eu acho errado a fiscalização ser pesada no táxi e não ter nos motoristas de aplicativo. Eles fazem o que querem”, diz.   

Taxistas também estão aderindo ao InDriver   
Não é só a Uber que está conquistando os taxistas. Enquanto a reportagem circulou por alguns pontos de táxi de Salvador, encontrou seu Antônio dos Santos Silva, 59 anos, que estava no Aeroporto na fila do táxi, mas com o InDriver ligado, caso aparecesse alguma corrida. Ele já utiliza há seis meses esse aplicativo e tem 33 anos de experiência no táxi.    

“Eu moro em Abrantes, distrito de Camaçari, e trabalho no centro de Salvador. Para fazer esse deslocamento, tanto ida como volta, preciso de umas corridas no aplicativo para valer a pena. Agora mesmo estou com o aplicativo ligado, pois se pintar uma corrida para o centro ou para Abrantes, eu vou aceitar”, diz. A principal diferença do InDriver para as outras plataformas são a possibilidade do motorista negociar o preço com o usuário.   

“Eu faço muito essa negociação. Acaba sendo uma corrida de táxi, mas sem o taxímetro ligado, pois o valor já foi previamente definido com o passageiro”, avalia. O motivo que levou seu Antônio a utilizar o aplicativo também foi a necessidade de complementar a renda.

“Por dia, pego em média umas quatro corridas por aplicativo e outras quatro como taxista. O movimento ficou bem fraco, infelizmente. A gente tem que se virar no aplicativo”, revela.  

Já Vailson Dias da Cruz, 51 anos, mais conhecido como seu Paulista, utiliza o InDriver quando o movimento no táxi costuma ser menor. “Na madrugada ou início da manhã, vale mais a pena usar o aplicativo. Táxi se torna mais demandado a partir das 7h até umas 19h. Tem também os horários dos passageiros fixos que fui conseguindo ao longo do tempo. Usar aplicativo me ajuda, inclusive, a conhecer novas pessoas e possíveis novos passageiros fixos”, relata.   

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Ele também está tentando fazer parte da Uber, mas ainda não foi aceito pela plataforma. “Já mandei a documentação há poucos dias e estou aguardando eles aprovarem. Acho que não tem outro jeito, temos que acompanhar a evolução do aplicativo que chegou para ficar e aumentar o lucro. É uma boa se for utilizado para somar”, diz.  

Aldo Silva, 53 anos, utilizava o InDriver, mas resolveu parar, pois diz ter começado a observar aumento na procura por táxis. “Os passageiros perderam a confiança no aplicativo e estão voltando para o táxi. São muitas corridas canceladas, briga, não tem mais balinha, água…”, explica. Mesmo assim, ele admite que não é seu objetivo continuar na profissão. “Estou tentando voltar a ser pintor de casa, pois não está sendo fácil para sobreviver. Só estou dependendo do telefone tocar, aparecer algum serviço para largar a profissão de taxista”, conta.   

Taxistas temem represálias  
Não são todos os taxistas que falam abertamente sobre o uso dos aplicativos de corrida, devido ao medo que existe de represálias por parte dos colegas. “Cada um tem uma maneira de agir, mas não são eles que vão pagar a minha conta. Então, se eu puder rodar aplicativo, rodo mesmo, tô nem aí”, diz um motorista, que preferiu não ser identificado.   

Denis Paim, presidente da Associação Geral dos Taxistas (AGT), disse que a categoria não pode intervir na ida ou não de um motorista para o aplicativo. “Essa é uma decisão particular de cada um. Mas eu tenho um posicionamento pessoal sobre isso. Penso que o taxista ir para o aplicativo é levantar o serviço deles, que caiu muito a qualidade nos últimos tempos. Eles querem os taxistas, pois estão vendo que as pessoas já começaram a sair do aplicativo para só usar táxi”, defende.  

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Ele acredita que isso está acontecendo devido ao aumento das queixas dos passageiros de vários motoristas cancelando corrida e longo tempo de espera para conseguir um passageiro.

“Antes, os aplicativos davam bala, água. Hoje em dia não tem mais nada disso. Tem a questão do carro, muitas vezes velho e a segurança da corrida. Então, muita coisa foi acontecendo nos últimos anos e as pessoas começaram a voltar para o táxi”, diz.  

Denis ainda relata serem muitas as taxas que os taxistas precisam pagar, algo que não é cobrado dos motoristas de aplicativo. “Nós temos que ter o gás veicular em dia, o que custa cerca de R$ 300 por ano; tem a taxa anual de R$ 110 para vistoria anual; R$ 83 anual para o órgão que fiscaliza o taxímetro, o Instituto Baiano De Metrologia E Qualidade (Ibametro); mais R$ 300 para a renovação do crachá, que deve ser feita anualmente; e fora que nosso carro precisa estar em bom estado de conservação, o que também gera custos”, diz.   

A InDriver foi procurada, mas ainda não respondeu até o fechamento da reportagem.   

Reportagem Original


Caso ainda não conheça nossa comunidade, o Mundo Uber tem um fórum onde os membros podem interagir e postar dicas e dúvidas para os demais motoristas de aplicativo. Para acessar o fórum, é bem simples, basta clicar nesse link:
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