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Paula Gama – Por que Uber Moto mostra como poder de compra do brasileiro despencou

Em algumas cidades do Brasil, como Salvador, a atual aposta da Uber é o “Uber Moto”, uma opção mais barata do que o “Uber X” para viagens urbanas. Nela, um trajeto que custaria R$ 44 na opção tradicional, por exemplo, sai por R$ 26.

A novidade não é exclusividade da capital baiana, já está presente em 125 cidades brasileiras. Apesar de ser uma excelente oportunidade de negócio para a marca e uma forma mais acessível de transporte para o consumidor, o novo modelo escancara a precarização do transporte brasileiro e redução do poder de compra da população.

Nos últimos meses, vimos o padrão dos veículos de aplicativo cair. Com carros mais antigos e menos tecnológicos. Muitos motoristas, com sua razão, se recusam a usar o ar-condicionado para economizar combustível. Mesmo sem o conforto e segurança de outrora, as opções mais baratas dos aplicativos de transporte ainda são caras para boa parte dos brasileiros.

Em todo o mundo, a Uber investe em alternativas distintas de transporte, com oferta de carros elétricos, aluguel de veículos, viagens longas entre cidades, SUV de luxo para seis passageiros, carros adaptados para pessoas com deficiência, entre outras modalidades.

Mas, por uma questão de estratégia, o Brasil não é contemplado com essas opções. Talvez por falta de veículos e motoristas dispostos para executar as funções, talvez porque não seria possível chegar em preço acessível à população, que garantisse lucro do condutor e da plataforma.

É aí que fica claro o momento econômico do brasileiro médio. Em vez de ascender, com opções mais dinâmicas e confortáveis de serviços, precisa abrir mão de conforto e segurança para encaixar o transporte no orçamento.

Poder de compra

Apesar do Brasil viver um momento de deflação, impulsionado pela redução dos impostos no combustível, de março de 2017 a março de 2022 o real perdeu 31,32% de seu valor e poder de compra.

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Além disso, tirando o combustível da conta, ainda existe aumento de preços nos itens básicos de consumo do brasileiro, corroendo a renda das famílias, principalmente as menos abastadas. Com menos poder de compra, resta baixar o padrão de vida para encaixar no orçamento. A maior prova deste cenário é ter empresas multinacionais destinando produtos e serviços de cada vez menos valor agregado para o país.

Aumento da exposição

Ter à disposição opções de serviços mais baratos é sempre uma vitória, mas no caso da popularização do transporte de passageiros em motos o que assusta é o aumento da exposição das pessoas a acidentes. Durante a pandemia, o número de motos nas ruas aumentou devido à demanda por entregas, junto com o número de acidentes.

Segundo especialistas, acidentes envolvendo motos matam, por quilômetro rodado, 16 vezes mais do que os outros modais. Já as informações da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) mostram que os acidentes com motos representam 54% de todos os sinistros de trânsito do Brasil, mesmo que apenas 22,1% da frota seja composta por motocicletas.

Em 2020, último ano analisado, 79% das indenizações pagas pelo Seguro DPVAT foram destinadas a vítimas de acidentes de moto. Foram cerca de 175 mil indenizações por invalidez permanente. Além disso, cerca de 52 mil pessoas foram indenizadas para pagamento de despesas médicas e outras 17 mil famílias receberam pela morte de algum parente. A maior parte das vítimas tinha entre 18 e 34 anos, no auge da capacidade produtiva.

Com números tão altos, é impossível não temer pelo aumento da gravidade dos acidentes quando parte das motos, no lugar de uma mochila de isopor no carona, levar outra vida. São duas pessoas se arriscando por questões econômicas – o motociclista, que já vive pressionado por tempo e renda baixa – e o passageiro, que não pode pagar por um transporte mais seguro.

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Segundo a Uber, todas as viagens contam com, entre outras medidas, a checagem de antecedentes dos parceiros e dão aos usuários a possibilidade de compartilhar com seus contatos a placa, a identificação do condutor e sua localização no mapa, em tempo real.

“As viagens de moto que são feitas pelo aplicativo da Uber têm tido como uso constante os deslocamentos de última milha, interligando os usuários da plataforma a modais de transporte, como as estações de ônibus, trens e metrô das cidades. Temos visto que esse é um tipo de uso muito pertinente para as viagens de moto, já que muitas vezes o trecho pode ser cansativo para ir a pé e curto para uma viagem de carro”, afirma Silvia Penna, diretora-geral da Uber no Brasil.

A empresa diz que os condutores do Uber Moto têm acesso a um conteúdo educacional sobre segurança viária, estimulando a direção segura e o respeito às leis de trânsito.

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Reportagem Original


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