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O prejuízo, a concorrência e os planos para o futuro. Os dias da Uber (aparentemente) longe de polémicas

“Os nossos resultados demonstram o quanto progredimos ao sair da pandemia e como o poder da nossa plataforma está a diferenciar o nosso desempenho nos negócios”, afirmou Dara Khosrowshahi, que é citado no comunicado da empresa, acrescentando que “nunca houve um momento mais emocionante para inovar na Uber” e que está focado em “aumentar a plataforma de forma lucrativa”. Por sua vez, Nelson Chai, chief financial officer (CFO), disse estar “satisfeito” com os resultados do primeiro trimestre deste ano.

Apesar da satisfação com os resultados do primeiro trimestre de 2022, a falta de lucro — que não é uma novidade para a empresa — continuou a não ser ultrapassada. Ainda antes da pandemia, a Uber revelou pela primeira vez os resultados financeiros trimestrais desde que passou a estar cotada na bolsa, em maio de 2019. O histórico de perdas manteve-se, com o negócio a perder no primeiro trimestre de 2019 (antes da pandemia) mais de mil milhões de dólares, depois de obtidas receitas de 3,1 mil milhões.

Um novo sinal de que o caminho para a rentabilidade ainda era longo veio quando foi revelado que, no conjunto de todo o ano de 2019, a empresa perdeu 8,5 mil milhões de dólares. Dara Khosrowshahi justificou que o ano fora de “transformação” e que a empresa estava comprometida em oferecer lucro aos acionistas. “Nós reconhecemos que a era do crescimento a qualquer custo acabou”, afirmou, citado em comunicado. Nesta altura, uma das maiores ambições da Uber era conseguir obter lucro até ao quarto trimestre de 2020. O objetivo não foi alcançado, porém nem tudo foi mau.

Com a pandemia de Covid-19 a marcar o ano de 2020, a Uber — tal como muitas outras empresas ao redor do mundo — perdeu 6,8 mil milhões de dólares, um prejuízo ainda assim menor ao registado no ano anterior. A empresa garantiu que nesse ano se focou num “crescimento lucrativo”, tendo inclusive despedido funcionários, à medida que a saúde global estava a ameaçar o seu negócio principal — o de transporte de passageiros. O CFO, Nelson Chai, disse nessa altura em comunicado que o negócio continuava “no bom caminho para atingir as metas de rentabilidade em 2021”.

E a verdade é que no terceiro trimestre desse ano, a empresa fez história. Apesar de ter perdido motoristas devido às restrições impostas para combater a pandemia, que retiraram as pessoas das estradas, a Uber teve o primeiro lucro operacional de sempre: 8 mil milhões de dólares, sendo que tinha registado uma perda de 625 milhões no período homólogo. O ano de 2021 foi melhor que o anterior e a empresa registou um prejuízo de 496 milhões de dólares, 14 vezes inferior ao de 2020. Porém, só nos primeiros três meses de 2022, a Uber já perdeu 5,9 mil milhões de dólares — valor que compara com os 108 milhões perdidos no período homólogo.

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Durante a pandemia — especialmente nos anos de 2020 e 2021 —  a multinacional apostou no Uber Eats para aumentar as vendas. “A segunda Uber”, como o CEO chama ao serviço de entregas, cresceu com a Covid-19 e passou a valer mais do que o negócio das viagens, mas só até ao último trimestre de 2021. Agora, nos primeiros três meses do ano, as receitas do negócio da mobilidade já ultrapassaram novamente as das entregas, com o transporte de passageiros a ser a área que mais cresceu (cerca de 58%).

Com o alívio das restrições para combater a Covid-19, os investidores permanecem “felizes” com o crescimento do serviço de entregas, mas Dara Khosrowshahi crê que deveria “estar a crescer ainda mais rápido”. Os estafetas do Uber Eats não estão tão satisfeitos e acreditam que a plataforma mudou o algoritmo, prejudicando quem faz entregas a pé. Um deles, Jeff Guerrero, notou que, atipicamente, não estava a receber pedidos e decidiu alterar as configurações da aplicação colocando que se transportava de bicicleta. Aí, foi retomado o ritmo habitual de pedidos, conta à revista Fortune. A empresa explicou a mudança com a necessidade de as entregas serem feitas através do serviço mais rápido possível.

Não eliminámos os estafetas que entregam a pé e não temos planos para fazê-lo”, disse um porta-voz do Uber Eats em comunicado enviado à Fortune.

A plataforma está a conseguir recuperar dos efeitos da Covid-19, mesmo que o serviço de entregas esteja a ficar para trás, com os estafetas que fazem entregas a pé a terem de trabalhar mais horas para ganharem o mesmo dinheiro. Todavia, há algo que não mudou: a Uber continua a não ser lucrativa. O prejuízo mais recente não foi ignorado e a empresa justificou-o revelando que quando a faturação cresce, os gastos também aumentam devido ao pagamento dos motoristas e à política de investimento em marketing e publicidade.

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A Uber garantiu que não precisará de investimentos significativos para conseguir manter os motoristas na plataforma, mesmo que a guerra na Ucrânia esteja a provocar um aumento nos preços dos combustíveis. Alguns condutores ponderam reduzir o número de horas que viajam ou até mesmo deixar a empresa, que começou a aplicar uma taxa de 0,35 a 0,45 dólares aos clientes por cada entrega Uber Eats e 0,45 a 0,55 dólares por cada viagem de carro. O valor cobrado aos utilizadores reverte para os motoristas, para os ajudar a mitigar o aumento do preço do gasóleo e da gasolina.

Acho que as palavras que quero usar [sobre as taxas] são ‘lamentavelmente inadequadas’”, afirmou Nolberto Casas, motorista da Uber em Chicago, ao Business Insider, mostrando o descontentamento com a ajuda, que os condutores alegam não ser suficiente para cobrir os gastos com os combustíveis.

Apesar da guerra na Ucrânia e dos aumentos do gasóleo e da gasolina, a Uber está otimista para o segundo trimestre do ano apontando para uma receita de 29 mil milhões de dólares. Para conseguir atingir o objetivo, foca-se em controlar as despesas. Dara Khosrowshahi enviou um email aos trabalhadores onde indicou que com a “mudança sísmica” no mercado a empresa vai cortar gastos, o que significa que vai abrandar o ritmo de novas contratações que serão tratadas como um “privilégio”.

Está claro que o mercado está a passar por uma mudança sísmica e precisamos reagir em conformidade. Os gastos menos eficientes com marketing e incentivos serão retirados. Trataremos a contratação como um privilégio. Seremos ainda mais rígidos em relação aos custos em geral”, pode ler-se na nota.

A confiança da Uber face aos resultados do trimestre que já começou e a estratégia para reduzir os custos diverge do plano da Lyft, a sua principal concorrente nos EUA e no Canadá, que pretende aumentar os incentivos nos próximos meses para atrair mais motoristas para a plataforma — que também tenta recuperar dos efeitos da Covid-19 e que se debate com o aumento dos preços da gasolina e do gasóleo. Dara Khosrowshahi reconheceu que a empresa também precisa de continuar a aumentar o número de motoristas na plataforma, mas garantiu que  não precisa de fazer investimentos significativos para os conseguir atrair. “Há muito trabalho a fazer pela frente, mas esta é uma máquina que está a rodar”, afirmou o CEO, citado pelo The New York Times, acrescentando que a multinacional começa a “mostrar uma separação em relação aos concorrentes”, por exemplo, relativamente à oferta de condutores.

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Dara Khosrowshahi não é o único a pensar desta forma. Susannah Streeter, analista da Hargreaves Lansdown, disse à agência Reuters que acredita que a Uber conseguiu reter e atrair melhor os motoristas porque ofereceu oportunidades de ganho não apenas no transporte, mas também na entrega de alimentos durante a pandemia. “Por enquanto, a Uber não está na mesma posição vulnerável de ter de oferecer incentivos altos para atrair os motoristas”, disse. Os investidores da Lyft também se mostram preocupados com a capacidade da empresa conseguir competir com a Uber e as ações caíram 26% após ser revelado que iria gastar mais para atrair mais condutores.

A rivalidade entre estas empresas é antiga. As duas operam no mesmo mercado há muito tempo, alguns motoristas trabalham tanto para a Uber, que tem um serviço global, como para a Lyft, que opera apenas na América do Norte, e os utilizadores também alternam entre as aplicações. Apesar dos esforços para ser uma alternativa, a Lyft não consegue dominar o mercado das viagens, com a Uber a receber cerca de 70% dos passageiros destes serviços nos EUA.

Mas há muito mais que diferencia as duas concorrentes. Os motoristas que viajaram mais de 20 horas por semana ao serviço da Uber ganharam em média, no primeiro trimestre do ano, 39 dólares por hora, valor que inclui gorjetas e a sobretaxa de combustível. No caso da Lyft, o salário médio por hora já com gorjetas, mas sem a taxa referente ao gasóleo e à gasolina, é de 24 dólares. A diferença de preços continua também no valor cobrado por quilómetro nos EUA que é, em média, 10% menor na Lyft.

Reportagem Original


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