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Motorista de aplicativo preso por tráfico em JF tenta provar inocência

O caso de um motorista de aplicativo, de 45 anos, que há mais de um mês tenta provar sua inocência, deve chegar ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). José Adriano de Souza Lima foi preso em flagrante por tráfico de drogas durante abordagem de rotina da Polícia Rodoviária Federal (PRF), no dia 18 de junho, no trecho da BR-040 que corta Juiz de Fora, na altura do km 784, próximo ao entroncamento com a BR-267. Ele havia saído do Complexo do Alemão, na cidade do Rio de Janeiro, para levar uma passageira, 26, até o município mineiro de São Tiago, no Campo das Vertentes. Durante as buscas no veículo, os policiais encontraram uma bolsa e uma mochila, que continham 329 pinos de cocaína e 202 frascos com a mesma substância, totalizando 2,1kg, além de 267 embalagens com maconha, que pesaram 2,7kg. Ninguém assumiu a posse dos entorpecentes, e tanto o condutor, quanto a mulher, continuam detidos em unidades prisionais de Juiz de Fora.

A família e a advogada do motorista afirmam que ele estava apenas trabalhando e que não fazia ideia de que a passageira supostamente estivesse transportando drogas. “Quem não deve, não teme, por isso que estamos expondo mesmo o caso. É um completo absurdo”, dispara uma das filhas de José Adriano, a contadora Lorena Zampolli, 23. Ela também divulgou a situação do pai nas redes sociais, causando repercussão nacional. Junto com a irmã, 14, e a mãe, 44, Lorena busca por Justiça, com auxílio da advogada Carla Bejani. Nesta sexta-feira (23), a profissional informou que vai entrar com pedido de habeas corpus junto ao STJ, já que o mesmo foi negado inicialmente na segunda instância pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), conforme decisão do relator, sendo ainda aguardado o parecer final da turma de desembargadores responsável pelo julgamento.

Segundo Carla, logo após a prisão, durante audiência de custódia, a Justiça já havia negado o pedido da defesa de liberdade provisória, afirmando que estavam presentes os requisitos da prisão preventiva. A decisão também foi mantida pela 2ª Vara Criminal e pelo Ministério Público. “O promotor de Justiça ofereceu a denúncia do caso na quarta-feira, denunciando o motorista e a passageira no tráfico interestadual, mediante concurso de pessoas. Mas ele deixou claro que foi pelo motivo de haver substância ilícita no carro. No único momento em que falou, a passageira não assumiu a propriedade e a empurrou ao motorista. Meu cliente também falou que não era dele, mas da mulher. Por conta dessa dúvida, o promotor denunciou os dois.”

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Ainda conforme a advogada criminalista, a partir desse momento começa a parte do processo de produção de provas, e as partes têm dez dias, a contar de quarta, para apresentar a defesa prévia. “O Ministério Público já pediu a quebra do sigilo telefônico da passageira – meu cliente forneceu a senha do aparelho dele na delegacia. Também pediu os dados do aplicativo com relação às viagens feitas por ele e conversas do WhatsApp.”

Ex-caminhoneiro migrou para aplicativo há dois anos

José Adriano de Souza Lima é natural da Paraíba, mas mudou-se ainda criança para o Rio de Janeiro. Atualmente a família mora em Jacarepaguá, na Zona Oeste da capital. “Meu pai trabalha como motorista de aplicativo desde maio de 2019, mas antes sempre trabalhou dirigindo caminhão, até em empresas de grande porte”, conta a filha, Lorena Zampolli, acrescentando que a última firma faliu e fez demissão coletiva em abril daquele ano, sendo o valor da rescisão dividido e pago até hoje. “Ele está acostumado a fazer corrida de longa distância (por aplicativo) e também particular para pessoas conhecidas. No dia 18 de junho, levou um amigo da minha mãe até um hospital na Penha. Após deixá-lo, ele ligou o aplicativo e surgiu essa corrida para Minas. Pelo valor, por ser longa, ele aceitou. Mas não conhece essa passageira e não tem qualquer associação com o tráfico de drogas. É réu primário, possui emprego, casa, é um chefe de família”, destaca a filha.

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Segundo ela, durante a abordagem da PRF em Juiz de Fora, a cerca de 200 quilômetros do destino, o motorista parou com os vidros abertos, enquanto a passageira estava no banco traseiro, com duas bolsas. “Essas drogas estavam enroladas de uma forma muito profissional, junto aos pertences dela e a uma recarga de celular.” Na delegacia, a PRF informou à Polícia Civil que os dois envolvidos apontaram um ao outro como proprietário dos entorpecentes. Ainda conforme o relato da PRF, a mulher, moradora de Bonsucesso, Zona Norte do Rio, disse ter solicitado a corrida de outro telefone, que não estava portando, com destino à cidade de São Tiago, onde faria um programa sexual no valor de R$ 1 mil, marcado por meio de um aplicativo de encontro, sem mencionar o endereço.

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Ao ser inquirida pela Polícia Civil, entretanto, a suspeita optou por permanecer calada e só prestar declarações em juízo. “Ela também se manteve calada na audiência de custódia, e isso prejudica muito o meu pai, porque não o inocenta”, diz a filha. De acordo com ela, o motorista tem colaborado com as investigações desde o início. “Ele avisou na abordagem que era motorista de aplicativo, que a corrida estava rodando no celular dele e não havia sido cancelada. Inclusive falou isso no depoimento na delegacia, mas ninguém olhou.”

Lorena espera que seu pai ao menos consiga responder em liberdade, até conseguir provar sua inocência. “Esperei um mês para a justiça ser feita e só estou vendo lentidão. O pedido de revogação da prisão demorou uma semana para ser negado. Fora toda a humilhação que ele está passando. O carro está no meu nome e eu não consigo retirá-lo, mas continuo pagando financiamento. Estou tendo prejuízos financeiros, com gastos para provar a inocência dele. É um caso absurdo em inúmeros fatores.” A família ainda não teve contato com o motorista, que tem se comunicado por meio da advogada. “Estamos assustados e de mãos atadas”.

Posicionamentos

Em nota, a Plataforma 99 – pela qual foi realizada a corrida que resultou nas prisões em flagrante por tráfico de drogas – disse que lamenta profundamente o ocorrido com o motorista parceiro José Adriano de Souza Lima. “Assim que tomamos conhecimento, imediatamente mobilizamos uma equipe responsável por compartilhar as informações necessárias. Porém, pela legislação vigente, o envio de dados de usuários depende de prévia autorização das autoridades. Entramos proativamente em contato com a polícia e aguardamos essa etapa para seguir colaborando. Continuamos a postos para apoiar as investigações no que for necessário para que o caso seja esclarecido o mais breve possível.”

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O advogado criminalista Ulisses Sanches da Gama, defensor da passageira presa na ocasião, informou que já impetrou habeas corpus em favor da sua cliente. “Quando da sua prisão, esta optou por permanecer em silêncio, como lhe faculta a lei.” Segundo ele, a defesa trabalha com a tese de coação física sofrida pela acusada. Já em relação ao motorista de aplicativo, disse que nada tem a acrescentar.

A assessoria da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), confirmou, nesta sexta-feira, que José Adriano está preso na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires, enquanto a passageira detida com ele está na Penitenciária José Edson Cavalieri.

Reportagem Original


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