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Com doença rara, jovem afirma ter sofrido preconceito de motorista de aplicativo

Ana Beatriz Almeida sofre de dermatopolimiosite e relata ter corrida negada por condutor após não conseguir abrir porta de veículo

Uma jovem de Joinville, no Norte de Santa Catarina, afirma ter sofrido preconceito por um motorista de aplicativo (Uber). O caso foi relatado por Ana Beatriz Almeida, de 21 anos, em uma rede social na última semana. Ela trata de dermatopolimiosite, uma doença crônica e autoimune, não contagiosa, que se manifesta pela fraqueza muscular.

Ana Beatriz relatou a situação nas redes sociais – Foto: ND TV/Apoio

No dia 4 de janeiro, Ana Beatriz seguia de volta para casa após realizar um exame em um laboratório. Depois de não conseguir abrir a porta, a jovem pediu ajuda ao motorista e contou por que não havia conseguido entrar no carro.

“Eu expliquei que sofria da doença e que estava fazendo tratamento”, disse Ana. “Ele se negou a abrir a porta porque estava com medo de contaminar ele e o carro dele. Então cancelou a corrida e foi embora”, complementa.

Ana Beatriz também avaliou a postura do motorista. “Achei muito errada. Ele trabalha com o público, então ele não sabe quem vai pegar (para dar carona). A doença não passa, ele não ia se contaminar”, desabafou. Ela contou, ainda, que já tinha sofrido outra forma de preconceito na escola por uma professora.

Especialista explica o que é dermatopolimiosite

Médica reumatologista, Rafaella Gaya Rosa descreve qual é a atuação da dermatopolimiosite no corpo humano. “É uma doença crônica, autoimune, ou seja, o próprio paciente produz anticorpos contra o seu corpo, que gera a doença. Portanto, ela não é contagiosa”, afirmou Rosa.

A doença, segundo a reumatologista, manifesta-se principalmente pelo surgimento de fraqueza muscular, que acontece de forma gradativa, e lesões na pele.  O paciente passa a ter dificuldades para realizar atividades simples, como subir escadas, levantar, sentar e pentear o cabelo.

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“As lesões de pele podem surgir próximas das articulações das mãos, na região da pálpebra e vermelhidão facial. Essa são as manifestações mais frequentes da dermatopolimiosite”, disse a reumatologista. Além disso, a doença pode comprometer a estrutura da musculatura que faz a deglutição, causando dificuldade na alimentação.

Tratamento pelo SUS

Ana Beatriz precisa tomar doses de imunoglobolin, remédio de alto custo no mercado, mas que é fornecido pelo SUS – Foto: Apoio/ND TVAna Beatriz precisa tomar doses de imunoglobolin, remédio de alto custo no mercado, mas que é fornecido pelo SUS – Foto: Apoio/ND TV

O tratamento da jovem envolve desde fisioterapia até medicamentos, que ela consegue pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Caso tivesse que pagar pela medicação, ela teria que pagar R$ 35 mil por mês. A aplicação também é cara. Sem conseguir o atendimento na rede pública, Ana hoje paga R$ 960 mensais em uma clínica particular.

“Aqui em Joinville não consegui um lugar para aplicar pelo SUS. Estou desempregada, só meu noivo trabalha. Ele paga aluguel, comida. A gente não tem condições. Então fizemos uma vaquinha online, mas agora não conseguimos mais arrecadar nada”, disse.

Ana afirma não ter dinheiro suficiente para aplicação nos próximos meses. “Não sei como vou fazer, mas vou dar um jeito”, completou a jovem.

Na postagem, compartilhada nas redes sociais, ainda no dia 4 de janeiro, Ana Beatriz alcançou mais de 460 reações e 230 compartilhamentos, além de dezenas de comentários prestando solidariedade.

Paz, amor e mais empatia, por favor! 🙏😭

Posted by Ana Beatriz Almeida on Monday, January 4, 2021

Uber se posiciona sobre o caso

A Uber, empresa em que Ana Beatriz pediu a corrida, afirmou em nota que “lamenta que a situação tenha ocorrido na plataforma. Levamos esse tipo de denúncia muito a sério e temos uma política de tolerância zero a qualquer forma de discriminação em viagens pelo aplicativo”, diz o texto da assessoria.

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Após o contato da reportagem do Grupo ND com a Uber, a empresa ligou para a usuária e pediu desculpas pelo ocorrido. Questionada se a “política de tolerância zero” significaria a expulsão do motorista da plataforma, a Uber disse, por meio da assessoria, que não poderia dar mais detalhes “por uma questão de privacidade”.

Confira, abaixo, a nota da Uber na íntegra:

A Uber lamenta que essa situação tenha acontecido dentro da nossa plataforma. Levamos esse tipo de denúncia muito a sério e temos uma política de tolerância zero a qualquer forma de discriminação em viagens pelo aplicativo. A empresa entrou em contato com a usuária e tomou as medidas necessárias para que isso não volte a ocorrer.

A Uber defende o respeito à diversidade e reafirma o seu compromisso de promover o respeito, igualdade e inclusão para todas as pessoas que utilizam o nosso app. Todas as viagens são registradas por GPS. Isso permite que, em caso de necessidade, nossa equipe especializada possa dar suporte às autoridades, sabendo quem foi o motorista parceiro e o usuário, seus históricos e qual o trajeto realizado, além de acionar seguro que cobre despesas médicas em caso de incidentes.

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Reportagem Original


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