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Carros para Uber: o que é essencial no veículo e quais os modelos ideais – UOL

Os aplicativos de transporte, como Uber, 99 e Cabify, vieram para ficar e mudaram a vida de muita gente. Os usuários ganharam uma modalidade de transporte que combina a flexibilidade do táxi com preços mais acessíveis.

Além deles, um grande contingente de pessoas viu nos aplicativos uma alternativa de trabalho que é especialmente bem-vinda, em tempos de emprego formal em baixa. Nunca antes tanta gente passou a ganhar a vida (ou mesmo complementar a renda) como motorista de aplicativo. E a escolha certa do carro a se usar para o trabalho é crucial.

Não é preciso muito mais que quatro portas e ar-condicionado para cumprir os requisitos básicos. Para ser aceito pela Uber, o carro não pode ter mais de 10 anos de fabricação. Já na 99, a idade máxima exigida varia conforme a cidade. Em São Paulo, o carro não pode ter sido fabricado antes de 2011. Em Salvador, deve ser do ano 2007 em diante; no Rio de Janeiro, precisa ter no máximo oito anos de uso.

Dito isso, há diversos critérios que podem orientar sua escolha. Listamos aqui cinco atributos que são muito importantes para quem trabalha para esses aplicativos. E algumas sugestões de modelos que sobressaem em cada um desses pontos. Nossas indicações se concentram em hatches e sedãs compactos, que são os modelos mais acessíveis e, não por acaso, mais procurados por motoristas de aplicativo.

A cabine de dimensões generosas é a maior virtude do Renault Sandero

Imagem: Divulgação

Espaço interno

A primeira impressão que cada passageiro tem ao entrar no carro diz respeito a este atributo. Um carro espaçoso proporciona uma viagem mais confortável e um serviço de transporte de qualidade.

O acesso à cabine deve ser fácil e quem senta no banco traseiro (opção preferida pela maioria) deve ter espaço suficiente para as pernas. Se passageiros com 1,80 metro de altura não rasparem a cabeça no teto, melhor ainda.

Engana-se quem pensa que é preciso migrar para modelos médios ou grandes para ter espaço. Alguns compactos surpreendem nesse quesito. Entre os hatches de entrada, não tem para ninguém: o Renault Sandero dá um show, com seu entre-eixos de 2,59 metros. É um dos poucos modelos da categoria em que três adultos viajam atrás com dignidade.

Entre os sedãs compactos, o Volkswagen Virtus se destaca, com seus 2,65 metros de entre-eixos, que também propiciam bom espaço para as pernas dos ocupantes. Quem não quiser gastar tanto dinheiro encontrará boas opções nos mais espartanos Renault Logan (2,63 metros) e Nissan Versa (2,60 metros).

O Etios Sedan compensa a falta de charme com um porta-malas surpreendente - Divulgação

O Etios Sedan compensa a falta de charme com um porta-malas surpreendente

Imagem: Divulgação

Porta-malas

O dia a dia como motorista de aplicativo é cheio de situações em que a capacidade do bagageiro é exigida. Levar passageiros para o aeroporto é a principal delas, mas há também as compras do supermercado e até pequenas mudanças.

Optar por carros de segmentos como minivans e SUVs compactos pode inclusive render viagens com melhor remuneração, em categorias específicas, como Uber Bag, que têm preço maior para o passageiro. Mesmo entre os hatches e sedãs compactos, porém, você pode escolher modelos com porta-malas mais generosos.

No universo dos hatches compactos, a vantagem é novamente do Renault Sandero. Seu porta-malas tem capacidade de 320 litros. Uma boa vantagem sobre rivais como o Chevrolet Onix (280 litros na carroceria antiga, rebatizada como Joy, e 275 litros no modelo novo) e o Ford ka (apenas 257 litros).

Entre os sedãs compactos, o Toyota Etios Sedan é um verdadeiro engolidor de malas: seu compartimento leva admiráveis 562 litros. No meio do caminho entre um compacto e um médio, o Chevrolet Cobalt leva 563 litros e o Honda City, 536 litros.

Com o motor 1.0 de três cilindros, o Fiat Argo faz bons 14,2 km/l de gasolina na cidade - Murilo Góes/UOL

Com o motor 1.0 de três cilindros, o Fiat Argo faz bons 14,2 km/l de gasolina na cidade

Imagem: Murilo Góes/UOL

Economia de combustível

Não dá para deixar de lado este quesito. Afinal, o consumo de combustível tem relação direta com o tanto de dinheiro que sobrará no seu bolso no fim das contas, depois que forem pagas a comissão da empresa que gere o aplicativo e a eventual taxa de locação do veículo. Quanto mais econômico for o carro, mais lucrativa será a atividade. Simples assim.

Infelizmente, não se pode ter tudo: conforto e desempenho andam na direção oposta da economia de combustível. Um carro com câmbio automático deixará seus dias muito menos desgastantes, mas esse tipo de transmissão é bem mais gastão que a manual.

Felizmente, a era dos propulsores tricilíndricos trouxe carros mais eficientes, que conseguem entregar respostas rápidas sem beber demais. E são justamente modelos com motores desse tipo as nossas melhores sugestões.

O estiloso Renault Kwid fica devendo em pontos como acabamento e espaço, é verdade. Mas o porte franzino tem suas vantagens: ele pesa menos de 800 kg, o que permite que um motor de meros 70 cv consiga deslocá-lo sem grande esforço. O resultado é uma invejável marca de consumo urbano de 14,9 km/l de gasolina (com etanol, são 10,3 km/l).

As versões com motor 1.0 de Fiat Argo e Renault Sandero também vão bem: ambas cravam 14,2 km/l de gasolina na cidade e entregam uma cabine mais ampla e confortável. Com etanol, o Argo vai melhor: 9,9 km/l, contra 9,5 km/l do Sandero.

O Ford Ka é um dos mais "espertos" hatches com motor 1.0 no mercado - Divulgação

O Ford Ka é um dos mais “espertos” hatches com motor 1.0 no mercado

Imagem: Divulgação

Desempenho

À primeira vista, desempenho não parece ser um critério tão importante na escolha. Afinal, no trabalho com aplicativo boa parte dos trajetos é feita em ciclo urbano, onde o trânsito carregado e os limites de velocidade não deixam espaço para explorar o apetite do motor.

Mas pense melhor. Na hora de subir uma ladeira íngreme com vários passageiros, um pouco mais de força fará uma bela diferença. Além disso, quanto melhor o desempenho do carro, menos esforço ele precisa fazer para cumprir suas tarefas: não será preciso elevar tanto a rotação para extrair força. A consequência é uma direção mais econômica.

A questão é conseguir um desempenho interessante sem se distanciar da racionalidade que deve permear a compra de um carro para esse tipo de uso. Um compacto premium como o VW Polo Highline certamente arranca sorrisos com seu motor 1.0 turbo, mas não compensa colocar um carro tão caro para a briga diária. Para valer a pena no Uber, melhor não se afastar demais dos carros de entrada.

O Ford Ka faz bonito entre os modelos com motor 1.0 de três cilindros. Ele entrega até 85 cv com etanol e uma condução bastante prazerosa, sem exagerar no consumo (13,4 km/l de gasolina ou 9,2 km/l de etanol na cidade). Com torque de 10,7 mkgf, ele reage com mais esperteza ao toque do acelerador que todos os concorrentes diretos, como Onix, HB20, Gol e Sandero.

Partindo para uma litragem um pouco maior, o Nissan March 1.6 é uma opção interessante. Tem bons números de desempenho (0 a 100 km/h em 9,3 segundos, velocidade máxima de 182 km/h) e um consumo urbano que não compromete (12,6 km/l de gasolina ou 8,6 km/l de etanol).

O HB20 pesa menos no bolso do proprietário na hora da revisão  - Divulgação

O HB20 pesa menos no bolso do proprietário na hora da revisão

Imagem: Divulgação

Manutenção

Este talvez seja o mais racional dos critérios, e um dos menos observados. O carro ideal para rodar no Uber tem valentia para aguentar o tranco (e que tranco: há motoristas que rodem 10 mil km em um único mês!) e manutenção barata.

Pesquisar os preços de peças e componentes de diferentes modelos dá trabalho e pode deixar você meio perdido, mas não é preciso ir tão longe. Comparar os custos das revisões já dará uma boa ideia de quanto custa manter o carro desejado.

Na comparação entre os modelos de entrada com motor 1.0, o Hyundai HB20 se destacou pelo menor valor: R$ 1.108,07 pelas três primeiras inspeções periódicas. Da Nissan, o hatch March e o sedã Versa também custam pouco: R$ 1.124 pelas três revisões.

Vale ainda destacar o Fiat Argo 1.0 (R$ 1.144) e o Toyota Etios Sedan (R$ 1.154,30), que também esfolam pouco o bolso do consumidor.

Há uma espécie de fosso que separa os modelos citados de outros que são muito procurados por motoristas de Uber, mas cobram caro pela manutenção. A Renault cobra R$ 1.308,42 dos donos de Logan e Sandero. As três primeiras revisões do Chevrolet Onix Joy saem por R$ 1.448, R$ 1 a mais que o plano de manutenção do Ford Ka. Para os Volkswagen Gol e Voyage, a mordida é de R$ 1.537,30.

Reportagem Original


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