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A startup que revigorou o taxímetro agora quer concorrer com a Uber

Enquanto os aplicativos que disruptaram a indústria de mobilidade urbana ainda queimam caixa e a Uber hasteia a bandeira branca, encerrando um histórico de conflitos com taxistas em Nova York, uma startup brasileira quer revigorar o bom e velho — e até então analógico — taxímetro.

Em uma aposta no fortalecimento dos taxistas justamente quando a Uber é criticada cada vez pelos frequentes cancelamentos de corridas (e dificuldades dos motoristas com o custo da gasolina), a Taksim desenvolveu e patenteou um equipamento IoT que se conecta ao taxímetro, digitalizando a operação sem que o motorista mude a maneira como usa o velho companheiro.

A startup criada por Carlos Silveira, um engenheiro formado pelo ITA, ganhou a licitação para operar o aplicativo de corridas de toda a frota de táxi de São Paulo, instalando o equipamento em todos os veículos. Há 42 mil alvarás na capital — excluindo 10 mil carros atualmente parados, são cerca de 32 mil automóveis.

“O motorista não precisa digitar nada. Ele faz tudo pelo taxímetro, inclusive o pagamento”, diz o fundador. Além do equipamento que digitaliza o taxímetro, a Taksim também vai entregar aos taxistas uma maquininha de cartão. A tecnologia aceita PIX, cartão de crédito digital ou físico. A startup fica com um take rate fixo de 10,97%, percentual definido na licitação com a prefeitura. É quase metade dos 20,1% da Uber.

Com a tecnologia e a operação tocada pela Taksim, o aplicativo da prefeitura de São Paulo — o SPTáxi — quer ser uma opção ao Uber também para o consumidor, o que é trivial. Mesmo com as críticas ao aplicativo fundado por Travis Kalanick, o número de veículos é impressionante. Na capital paulista, 250 mil motoristas cadastrados na Uber fazem pelo menos uma viagem ao mês.

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Um dos pioneiros da digitalização dos táxis no mundo, o brasileiro Tallis Gomes — fundador da Easy Táxi, startup vendida à espanhola Cabify —, avalia que os taxistas nunca estiveram em posição tão favorável para competir com a Uber. “O táxi só precisa fazer o básico. Chegar rápido — e há oferta para isso — e estar com o carro limpo”.

Na visão do fundador da Easy Táxi, companhia que deixou de operar no Brasil após a venda, a Uber sofre com um modelo de negócios que não se paga. Para atrair a clientela, precisa gastar frequentemente com vouchers, o que implica em um custo de aquisição de cliente excessivamente alto. As despesas para tocar a operação também são altas. Além disso, o aplicativo passou a sofrer com um problema de oferta, um reflexo também da disparada dos combustíveis.

1 de 1 Taksim: Aplicativo dará flexibilidade para motoristas e clientes negociarem — Foto: Divulgação

Taksim: Aplicativo dará flexibilidade para motoristas e clientes negociarem — Foto: Divulgação

“A Uber começou a fazer o que a gente morria de raiva no táxi, que é escolher corrida. A função psicológica da Uber era garantir que você vai chegar na hora e onde quiser, mas ela tirou esse principal atributo. Se preciso ir ao aeroporto, fico preocupado se vou conseguir mesmo o veículo”, indaga Tallis.

Nessa toada, a Taksim pode se fortalecer. “Fazemos tudo o que Uber e 99 fazem, com um match entre motorista e passageiro”, diz Silveira. Para o fundador da startup, uma vantagem da Taksim é a possibilidade de taxistas e clientes negociaram a corrida livremente. Pelo aplicativo, o motorista pode dizer o percentual de desconto que aceita por uma corrida. Do outro lado, o usuário também pode sugerir um desconto.

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Pelas regras da licitação, a Taksim terá 90 dias para instalar os equipamentos em toda a frota. A propósito, um efeito colateral do certame, ainda em discussão, pode atingir a 99, impedindo que o app controlado pela chinesa Didi e mesmo a Uber continuem oferecendo táxis paulistanos como uma alternativa.

Para desenvolver a tecnologia que promete acirrar a competição em São Paulo, a Taksim já investiu R$ 17 milhões e planeja uma rodada para dar capital de giro e fazer a expansão. Até aqui, o negócio foi financiado pelos controladores do Grupo Plano (LSC), holding dos sócios Felipe Lo Bianco, Cláudia Rosenthal e Vandelea Celestino, que fundaram a startup ao lado de Silveira.

Além de São Paulo, a principal frota de táxis do país, a startup já está em tratativas para instalar a solução em outras seis cidades brasileiras, disse Silveira. A ideia é que a tecnologia também possa atravessar fronteiras, atendendo outros países – eventualmente, até o táxi de Nova York.

Considerando o take rate, a Taksim poderia gerar R$ 280 milhões em receitas, sem considerar a melhora do faturamento dos táxis com um aplicativo mais eficiente, diz Silveira. Além disso, a startup trabalha em parceria com a Granito Pagamentos e poderá oferecer serviços financeiros aos motoristas, o que pode incluir financiamento de combustíveis, autopeças e até de refeição.

“Existe um ecossistema para fidelizar o motorista, utilizando a inteligência de todos os dados de viagens que teremos”, afirma o engenheiro que antes de criar a Taksim trabalhou na RioCard, que fez toda a operação de mobilidade durante os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016.

Reportagem Original


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